O Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – IPVS identifica a localização das áreas que concentram os segmentos populacionais mais vulneráveis dentro de cada município do Estado de São Paulo.
Criado originalmente em 2002 como instrumento para apoiar o gestor público na localização da população-alvo dos programas de transferência de renda, o IPVS passou, ao longo dos anos, a ser amplamente utilizado por diferentes segmentos da sociedade, incluindo universidades, pesquisadores e gestores públicos.
Estimado para microáreas (setores censitários), o índice permite desvendar as desigualdades intramunicipais existentes em áreas urbanas e rurais para todos os municípios paulistas. Dos pouco mais de 103 mil setores censitários existentes no Estado, cerca de 93 mil foram classificados em seis grupos de vulnerabilidade social.

A metodologia de construção do IPVS é baseada nas variáveis disponibilizadas pelo Censo Demográfico de 2022, relativas ao questionário do universo. O índice considera a renda média da pessoa de referência do município, o percentual de pessoas alfabetizadas de 15 anos ou mais, o percentual de jovens de 15 a 29 anos responsáveis pelos domicílios, o percentual de mulheres jovens de 15 a 29 anos responsáveis pelos domicílios e o percentual de crianças de 0 a 9 anos de idade.
Em 2022, o Estado de São Paulo contava com 43.729.161 habitantes residentes em domicílios particulares permanentes ocupados (DPPO) localizados em setores censitários que foram classificados pelo IPVS. Desse total, mais de um terço (14.809.807 pessoas) vivia em áreas vulneráveis (Grupos 4, 5 e 6), em cerca de 5 milhões de domicílios

1. Refere-se aos cerca de 93 mil setores censitários com classificação de IPVS.
2. Residentes em domicílios particulares permanentes ocupados (DPPO).
A renda média dos responsáveis pelos domicílios1 no Estado de São Paulo era de R$ 3.778. Já entre os residentes em áreas vulneráveis esse valor caía para R$ 1.897, muito inferior ao observado em áreas de baixíssima vulnerabilidade (Grupo 1), onde a renda média atingia R$ 12.043.
A presença de domicílios cujos responsáveis eram jovens (de 15 a 29 anos) era mais elevada nas áreas vulneráveis (12,2%) do que no conjunto do Estado (9,3%). Nas áreas de baixíssima vulnerabilidade, essa parcela era substancialmente menor (5,9%). Padrão semelhante foi observado em domicílios chefiados por mulheres jovens: nas áreas vulneráveis, 6,7% dos domicílios tinham mulheres jovens como responsáveis, enquanto naquelas de baixíssima vulnerabilidade esse percentual correspondeu a 3,1%. Esse comportamento também se repetiu nos domicílios cujos responsáveis eram negros.
Gráfico 1 – Parcela dos responsáveis pelos domicílios, por atributos pessoais, segundo áreas de vulnerabilidade
Estado de São Paulo, 2022, em %
A presença de crianças de 0 a 9 anos também era mais elevada nas áreas vulneráveis (14,2%), reduzindo-se para 9,9% nas áreas de baixíssima vulnerabilidade.
A destinação inadequada do esgoto atingia 4,9% dos domicílios do Estado. Já nas áreas vulneráveis, essa parcela alcançava 11,5% dos domicílios, enquanto nas áreas de baixíssima vulnerabilidade era de apenas 0,3%.
Gráfico 2 – Parcela de domicílios com destinação inadequada do esgoto, segundo áreas de vulnerabilidade
Estado de São Paulo, 2022, em %
Análise por porte populacional
A parcela da população residente em áreas vulneráveis (Grupos 4, 5 e 6) diminui à medida que aumenta o porte populacional, variando de 63,8% nos municípios com até 10 mil habitantes para 29,5% naqueles com mais de 500 mil habitantes.
Gráfico 3 – Parcela da população residente em áreas vulneráveis (Grupos 4, 5 e 6) por porte populacional
Estado de São Paulo, 2022, em %
As áreas vulneráveis concentravam parcela maior de domicílios chefiados por jovens, por mulheres jovens e por pessoas negras, com os percentuais crescentes conforme aumenta o porte populacional:
- jovens responsáveis pelo domicílio: de 8,6% em municípios com até 10 mil habitantes para 14,0% naqueles com mais de 500 mil habitantes;
- mulheres jovens chefes do domicílio: de 4,8% em municípios com até 10 mil habitantes para 7,9% naqueles com mais de 500 mil habitantes;
- pessoas negras responsáveis pelo domicílio: de 35,8% em municípios com até 10 mil habitantes para 57,5% naqueles com mais de 500 mil habitantes.
A diferença entre o rendimento médio dos responsáveis pelos domicílios localizados em áreas de baixíssima vulnerabilidade e em áreas vulneráveis é mais acentuada nos municípios de menor porte.
Gráfico 4 – Rendimento médio dos responsáveis pelos domicílios por porte populacional, segundo grupos de vulnerabilidade
Estado de São Paulo, 2022, em R$
Análise regional
Mais de um terço da população das regiões metropolitanas da Baixada Santista e de São Paulo residia em áreas vulneráveis (Grupos 4, 5 e 6).
Gráfico 5 – Parcela da população residente em áreas vulneráveis (Grupos 4, 5 e 6) por regiões metropolitanas
Estado de São Paulo, 2022, em %
Nessas duas regiões, observa-se o menor e o maior diferencial entre os rendimentos médios dos responsáveis pelos domicílios residentes em áreas não vulneráveis e em áreas vulneráveis. Na RMBS, a diferença entre os rendimentos médios, apesar de expressiva, é menor (R$ 8.398) do que a verificada na RMSP (R$ 10.623).
Gráfico 6 – Rendimento médio dos responsáveis pelos domicílios por regiões metropolitanas, segundo grupos de vulnerabilidade
Estado de São Paulo, 2022, em R$